Seminário reuniu especialistas e mobilizou 29 municípios para fortalecer a rede de saúde mental

  • Publicado em 13 fev 2026 • por Danubia Karinni Burema De Sousa •

  • Evento da SES promoveu qualificação do cuidado, integração da rede psicossocial e estratégias de autonomia dos usuários

    A SES (Secretaria de Estado de Saúde) realizou, em Campo Grande, o I Seminário de Saúde Mental da Macro Centro: Tecendo Redes de Cuidado, Trabalho e Liberdade. O encontro reuniu profissionais, gestores, usuários, estudantes e pesquisadores, com o objetivo de fortalecer a RAPS (Rede de Atenção Psicossocial) por meio de formação técnica, troca de experiências e articulação regional. O evento foi organizado pela SES, em parceria com o LAPS/Fiocruz (Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial) e com a OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde).

    Participaram representantes dos 29 municípios da Macrorregião Centro, além de convidados de outros estados e instituições nacionais e internacionais.

    Fortalecimento da rede e qualificação do cuidado

    O seminário teve como foco o fortalecimento da RAPS na macrorregião, com ênfase no cuidado territorializado, no atendimento às urgências e emergências em saúde mental, na atuação da Atenção Primária, nas PICS (Práticas Integrativas e Complementares em Saúde) e em estratégias de geração de renda e economia solidária como instrumentos de inclusão e autonomia.

    A programação também buscou alinhar diretrizes técnicas entre gestores e equipes, divulgar práticas exitosas desenvolvidas nos territórios e contribuir para a formação permanente de profissionais e futuros trabalhadores da área.

    Abertura e participação institucional

    A abertura contou com apresentação cultural do Coral do CAPS, “Canto Livre”, formado por usuários do CAPS Vila Almeida, de Campo Grande, mesa solene com representantes da SES, da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) e de instituições de pesquisa, além de atividades de PICS e da Feira de Economia Solidária, com exposição de iniciativas desenvolvidas por serviços e usuários da rede.

    Para o secretário de Estado de Saúde, Maurício Simões Corrêa, o encontro ampliou a integração entre serviços e municípios.
    “Estamos investindo na qualificação das equipes e na organização da rede para garantir atendimento humanizado e em liberdade. O seminário ampliou o diálogo técnico e fortaleceu as ações nos territórios”, afirmou.

    A secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, destacou a necessidade de articulação entre os diferentes níveis de atenção.
    “A saúde mental precisa estar conectada com toda a rede. A aproximação entre atenção primária, serviços especializados e parceiros institucionais gera respostas mais eficazes para a população”, disse.

    A superintendente de Atenção à Saúde da SES, Angélica Congro, ressaltou o valor da troca de experiências entre os municípios.
    “O encontro promove alinhamento técnico e compartilhamento de práticas que ajudam a qualificar o cuidado e o manejo das situações de crise”, pontuou.

    A coordenadora técnica Arielle dos Reis enfatizou o protagonismo dos usuários.
    “Discutimos cuidado em liberdade, inclusão produtiva e economia solidária como parte da reabilitação psicossocial e da construção de projetos de vida”, explicou.

    Reforma psiquiátrica e economia solidária

    Durante a programação, o fundador e presidente de honra da ABRASME (Associação Brasileira de Saúde Mental), Paulo Amarante, contextualizou os avanços da reforma psiquiátrica no país e os reflexos das políticas de inclusão produtiva. “O Brasil fechou cerca de 70 mil vagas em hospitais psiquiátricos de longa permanência e implantou milhares de serviços comunitários, como CAPS e residências terapêuticas, além de projetos de arte, cultura, trabalho e economia solidária. Em Mato Grosso do Sul, vemos esse processo se fortalecer por meio de cooperação e apoio às iniciativas locais, com experiências consolidadas sendo ampliadas e novas ações surgindo”, destacou.

    A abertura também incluiu conferência sobre o impacto da economia solidária na reforma psiquiátrica e o lançamento de publicações técnicas na área.

    A presidente da ABRASME e coordenadora do projeto Laps Fiocruz em parceria com a OPAS, desenvolvido no Mato Grosso do Sul, Ana Paula Guljor, destacou que o seminário marca o avanço de ações estruturadas de inclusão produtiva no Estado. Este seminário celebra a finalização das atividades de fortalecimento da economia solidária em saúde mental no Estado: “Desenvolvemos um curso de formação com 72 inscritos e ofertamos tutoria opcional para elaboração de projetos de intervenção nos municípios com 20 participantes. Também mapeamos 95 iniciativas de economia solidária em 27 serviços do estado. Três municípios, onde o projeto esteve presente: Campo Grande, Dourados e Ponta Porã foram contemplados em edital do Ministério da Saúde com bolsas para fortalecer essas experiências. O seminário consolida esse ciclo, compartilha metodologias e amplia a capacidade de multiplicação das práticas de protagonismo de usuários e familiares pela geração de renda e trabalho nos territórios”, afirmou.

    A consultora da OPAS, Cristina Hoffman, ressaltou que o seminário é resultado direto da cooperação técnica com o Estado e reforça estratégias de inclusão produtiva na saúde mental. “A economia solidária e o cooperativismo fortalecem a cidadania, geram renda e ampliam a autonomia de pessoas em sofrimento mental, que muitas vezes enfrentam estigma e exclusão. Ao apoiar cooperativas sociais e projetos nos territórios, unimos desenvolvimento social e econômico com base na solidariedade, na autogestão e na democracia”, afirmou. Ela acrescentou que a iniciativa também foi desenvolvida em parceria com o LAPS, da Fiocruz, por meio de termo de cooperação com o Estado.

    Público e abrangência

    O seminário foi voltado a profissionais da saúde mental de Campo Grande e da macrorregião, trabalhadores dos CAPS, dos Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT), programas de residência, usuários da rede e estudantes de Psicologia e de outras áreas da saúde.

    Também participaram parceiros institucionais e representantes do Conselho Regional de Psicologia.

    Eixos debatidos na programação

    Ao longo dos três dias, a programação abordou:

    • protagonismo de usuários e familiares
    • economia solidária e direitos humanos
    • urgências e emergências psiquiátricas
    • PICS e saúde mental
    • cuidado em saúde mental na Atenção Primária
    • organização do atendimento no território
    • experiências municipais de geração de renda
    • medidas terapêuticas aplicáveis à pessoa com transtorno mental em conflito com a lei

    O encerramento reuniu organizadores e parceiros para a síntese técnica dos debates e encaminhamentos para fortalecimento da rede regional.

     

    André Lima, Comunicação SES
    Fotos: André Lima

     

    Categorias :

    Rede de Atenção Psicossocial - RAPS

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