Abril Verde mobiliza MS para enfrentar acidentes de trânsito relacionados ao trabalho

  • Publicado em 08 abr 2026 • por Danubia Karinni Burema De Sousa •

  • Seminário reúne especialistas e instituições para fortalecer prevenção, vigilância e proteção à saúde dos trabalhadores

    Como parte da campanha Abril Verde 2026, o Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da SES (Secretaria de Estado de Saúde), realizou nesta última terça-feira (7), em Campo Grande, o seminário “Acidentes no Trânsito Relacionados ao Trabalho: Vigilância, Prevenção e Proteção da Vida do Trabalhador e da Trabalhadora”.

    O encontro ocorreu no auditório do CREA-MS (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul) e reuniu cerca de 150 participantes, entre gestores, profissionais de saúde, representantes de instituições públicas e privadas, trabalhadores do transporte e logística e controle social.

    A secretária de Estado de Saúde em exercício, Crhistinne Maymone, destacou a importância de ampliar o debate sobre o tema.
    “Os acidentes de trânsito relacionados ao trabalho muitas vezes passam despercebidos, mas representam uma realidade. Precisamos trazer esse assunto para o centro das discussões, especialmente diante de um cenário de crescimento econômico, expansão logística e novas formas de trabalho”, afirmou.

    Problema de saúde pública exige ação integrada

    Os acidentes de trânsito relacionados ao trabalho estão entre as principais causas de adoecimento, incapacidades e mortes no estado, especialmente entre trabalhadores que utilizam vias urbanas e rodovias como ambiente laboral.

    Dados do CEREST (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador) Estadual indicam que cerca de 40% dos acidentes de trabalho identificados por monitoramento da mídia estão ligados ao trânsito, evidenciando a magnitude do problema em Mato Grosso do Sul.

    Construção coletiva e fortalecimento da rede

    A coordenadora de Vigilância em Saúde do Trabalhador e do CEREST Estadual, Maria Madalena de Almeida, ressaltou o caráter intersetorial do seminário.
    “Foi um momento muito potente de integração entre instituições e municípios, todos voltados para um mesmo tema: os acidentes de trânsito relacionados ao trabalho. Discutimos determinantes, causas e consequências desses eventos, ampliando o conhecimento e promovendo uma reflexão coletiva”, explicou.

    Segundo ela, o encontro resultará em encaminhamentos concretos.
    “Vamos constituir uma comissão para fortalecer a Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora no estado, aprimorando estratégias de vigilância e prevenção. Estamos falando de um problema que mata e incapacita mais do que muitas doenças e gera um custo social altíssimo para o SUS (Sistema Único de Saúde), a previdência, as empresas e, principalmente, para as famílias”, enfatizou.

    Gravidade do cenário e importância da articulação

    Para o coordenador-geral de Vigilância em Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, Luís Henrique Leão, o tema exige prioridade.
    “Os acidentes de trânsito, incluindo aqueles relacionados ao trabalho, representam um gravíssimo problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Esse desafio está, inclusive, entre as metas de desenvolvimento sustentável, com o compromisso de reduzir lesões e mortes”, afirmou.

    Ele destacou ainda o papel do evento.
    “Iniciativas como essa demonstram a importância da articulação intersetorial, com protagonismo do setor saúde, para reduzir mortes, prevenir lesões graves e melhorar as condições de vida nas cidades e nas estradas”, completou.

    Cenário estadual e novos desafios

    A sanitarista da SES, Isabela Souza, explicou que o seminário foi pensado a partir da realidade do estado.
    “Mato Grosso do Sul tem no transporte uma atividade econômica estratégica, e isso se reflete no aumento dos acidentes de trânsito relacionados ao trabalho, tanto no contexto urbano quanto rodoviário”, destacou.

    Ela também esclareceu pontos importantes sobre a caracterização dos casos.
    “Os acidentes podem ser típicos, quando ocorrem durante o exercício da função, ou de trajeto, no deslocamento entre casa e trabalho, e muitas vezes não são reconhecidos como acidentes de trabalho”, explicou.

    Segundo Isabela, os grupos mais afetados são motoentregadores, motoboys e motoristas de caminhão.
    “Esses trabalhadores enfrentam grande exposição, especialmente com o crescimento econômico e a necessidade de escoamento da produção. Além disso, temos um novo desafio com o Corredor Bioceânico, que deve aumentar o fluxo de veículos e ampliar os riscos, inclusive com motoristas de outros países”, concluiu.

    Prevenção e vigilância como caminhos

    A programação incluiu palestras, apresentação de dados epidemiológicos, painéis temáticos e debates intersetoriais, reunindo áreas como saúde, trânsito, transporte e segurança pública.

    Entre os objetivos estão o fortalecimento da notificação dos acidentes, a integração entre instituições e a construção de estratégias mais eficazes de prevenção, reforçando a proteção da vida dos trabalhadores.

    André Lima, Comunicação SES
    Fotos: André Lima

    Categorias :

    Saúde do Trabalhador

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