Treinamento reúne profissionais para aprimorar diagnóstico e prevenção da tuberculose em MS

  • Publicado em 27 maio 2026 • por André Luiz de Souza Lima Rampazzo •

  • Curso reuniu profissionais de diferentes áreas da saúde para alinhar protocolos, ampliar estratégias de prevenção e qualificar o atendimento a populações prioritárias

    Profissionais de saúde de Mato Grosso do Sul participaram, nos dias 20 e 21 de maio, em Campo Grande, da capacitação em Manejo Clínico da Tuberculose Adulta. A iniciativa foi promovida pelo Ministério da Saúde, por meio da CGTM/DATHI/SVS (Coordenação-Geral de Vigilância da Tuberculose, Micoses Endêmicas e Micobactérias Não Tuberculosas), com apoio da SES (Secretaria de Estado de Saúde), por intermédio da GTHME (Gerência de Tuberculose, Hanseníase e Micoses Endêmicas), visando fortalecer a rede de atenção e qualificar o atendimento aos pacientes.

    O encontro reuniu profissionais que atuam na assistência, vigilância e gestão em saúde para discutir diagnóstico, prevenção e tratamento da doença, considerada um dos principais desafios da saúde pública no Brasil.

    O evento abordou desde aspectos epidemiológicos até estratégias de prevenção, diagnóstico laboratorial, resistência medicamentosa e manejo clínico dos pacientes.

    Diagnóstico além da doença

    Uma das principais mensagens do encontro foi a necessidade de ampliar o olhar sobre a tuberculose, considerando não apenas os aspectos clínicos, mas também os fatores sociais que influenciam diretamente o tratamento e os resultados alcançados.

    Para a consultora do Ministério da Saúde, Liliana Vega, o enfrentamento da doença exige uma abordagem integral.

    “A tuberculose não pode ser vista apenas pelo aspecto clínico. Precisamos considerar também as questões sociais que impactam o tratamento e podem gerar custos significativos para os pacientes e suas famílias. O cuidado precisa ser integral para que possamos alcançar melhores resultados”, destacou.

    Segundo ela, a capacitação reuniu profissionais de diferentes áreas estratégicas, como saúde prisional, saúde indígena, população em situação de rua, enfermagem e farmácia, fortalecendo a integração entre os serviços.

    Prevenção ganha protagonismo

    Além do diagnóstico e tratamento, a prevenção foi um dos temas centrais da programação.

    A identificação e o tratamento da infecção latente da tuberculose, condição em que a pessoa está infectada, mas ainda não apresenta a doença, têm sido uma das principais estratégias para reduzir novos casos.

    “Estamos investindo fortemente na prevenção. Quando identificamos a infecção antes do desenvolvimento da doença, conseguimos oferecer tratamento preventivo e reduzir significativamente o risco de adoecimento”, explicou Liliana.

    Capacitação para falar a mesma língua

    A atualização dos profissionais e a padronização das condutas foram apontadas como fatores essenciais para fortalecer a resposta dos serviços de saúde.

    A farmacêutica do Centro de Referência em Tuberculose e Hanseníase de Dourados, Flávia Sacchi, ressaltou a importância da troca de experiências promovida pelo encontro.

    “Esses momentos permitem alinhar condutas, atualizar os profissionais sobre protocolos e fortalecer a comunicação entre as equipes. Quando todos trabalham com as mesmas referências, conseguimos oferecer uma assistência mais qualificada e segura”, afirmou.

    A apoiadora do Programa Nacional de Tuberculose, Marneili Martins, destacou que a formação de multiplicadores é fundamental para ampliar o alcance das ações.

    “Cada profissional que participa de uma capacitação leva esse conhecimento para sua equipe. Isso fortalece a rede de atenção, ajuda a padronizar o diagnóstico e o tratamento e melhora a identificação dos casos em todos os territórios”, disse.

    Atenção especial às populações prioritárias

    A programação também trouxe discussões voltadas a grupos considerados mais vulneráveis à doença, como povos indígenas e pessoas privadas de liberdade.

    Responsável técnico pela tuberculose na Saúde Indígena, o enfermeiro Eliseu Gabriel Júnior destacou que a qualificação das equipes fortalece o cuidado nos territórios.

    “Temos trabalhado continuamente para fortalecer o diagnóstico dentro das comunidades indígenas. Capacitações como esta ampliam o conhecimento dos profissionais e contribuem para um atendimento mais qualificado e integrado”, ressaltou.

    No sistema prisional, onde a incidência da doença é historicamente maior, a capacitação também reforçou a importância das estratégias de prevenção e controle.

    O médico da Saúde Prisional de Campo Grande, Vitor Hugo Nunes, alertou para o impacto da doença dentro e fora das unidades penais.

    “A tuberculose tem grande relevância no sistema prisional e exige atenção constante. Precisamos fortalecer tanto o tratamento preventivo dos contatos quanto o manejo adequado dos casos ativos para interromper a cadeia de transmissão”, destacou.

    Caminho para a eliminação da tuberculose

    Para a gerente estadual de Tuberculose, Hanseníase e Micoses Endêmicas da SES, Cleide Aparecida Souza, a qualificação permanente das equipes é um dos pilares para alcançar a meta de eliminação da doença como problema de saúde pública.

    “Nosso objetivo é atualizar os profissionais com base nas diretrizes do Ministério da Saúde e garantir que essas orientações sejam aplicadas de forma padronizada em toda a rede. Somente com equipes capacitadas conseguiremos avançar no controle e na eliminação da tuberculose”, afirmou.

    Diagnóstico precoce e adesão ao tratamento

    Durante o curso, especialistas também reforçaram que o diagnóstico precoce continua sendo uma das ferramentas mais importantes para interromper a transmissão da doença.

    Segundo Marneili Martins, a identificação rápida dos casos e o início imediato do tratamento reduzem a carga bacteriana e aumentam as chances de cura.

    “Quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, mais rapidamente conseguimos iniciar o tratamento, interromper a transmissão e proteger outras pessoas”, explicou.

    Ela também destacou a necessidade de garantir a continuidade do tratamento.

    “Precisamos trabalhar para alcançar a interrupção zero. O abandono do tratamento favorece o desenvolvimento de resistência aos medicamentos e torna o controle da doença muito mais difícil”, concluiu.

    André Lima, Comunicação SES
    Fotos: André Lima

     

    Categorias :

    Tuberculose e Hanseníase

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