Publicado em 04 fev 2026 • por Kamilla Nunes Ratier Camacho •
Estratégia estadual organiza fluxo que vai da atenção primária à odontologia hospitalar, integrada à política nacional Brasil Sorridente
Dor de dente não pode esperar. Uma gengiva que sangra, uma lesão que não cicatriza ou a necessidade de uma prótese dentária impactam diretamente na alimentação, na fala, na autoestima e até nas oportunidades de trabalho. O que muita gente ainda não sabe é que o SUS (Sistema Único de Saúde) oferece uma rede estruturada de atendimento odontológico — que começa na unidade básica e pode chegar a serviços especializados e hospitalares.
Em Mato Grosso do Sul, a rede de saúde bucal é organizada e fortalecida com apoio direto da coordenadoria de Saúde Bucal da SES (Secretaria de Estado de Saúde), que atua de forma contínua e colaborativa junto aos municípios para ampliar o acesso e qualificar o atendimento à população.



Como funciona a rede em MS
A porta de entrada para os serviços odontológicos é a APS (Atenção Primária à Saúde), por meio das Equipes de Saúde Bucal presentes nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e nas UOMs (Unidades Odontológicas Móveis). É ali que o cidadão pode agendar consultas, realizar restaurações, extrações, limpeza, orientações preventivas e receber acompanhamento regular.
Quando há necessidade de procedimentos mais complexos — como tratamento de canal, cirurgias orais, atendimento a pacientes com necessidades especiais ou confecção de próteses — o usuário é encaminhado para os CEOs (Centros de Especialidades Odontológicas) ou para os Serviços de Especialidades em Saúde Bucal. Em situações específicas, o cuidado pode envolver a rede hospitalar.
Por trás dessa estrutura está um trabalho técnico permanente. A coordenadoria de Saúde Bucal da SES apoia os municípios desde a adesão e implantação das estratégias da rede, orienta sobre fluxos de atendimento, organização dos serviços e integração com os demais pontos da rede de atenção à saúde. Também realiza o cofinanciamento de equipes de saúde bucal e CEOs, viabilizando repasses fundo a fundo para melhorar estrutura e funcionamento dos serviços.
“O nosso papel, enquanto Estado, é garantir que os municípios tenham suporte técnico e financeiro para ofertar um atendimento cada vez mais resolutivo. Trabalhamos para organizar a rede, qualificar os profissionais e assegurar que o cidadão encontre no SUS um cuidado integral, que vai da prevenção ao tratamento especializado”, destaca o coordenador de Saúde Bucal da SES, Lucas Moura de Oliveira.
O acompanhamento é contínuo: são monitorados indicadores de produção, qualidade dos registros nos sistemas oficiais e desempenho das equipes. O Estado também elabora notas técnicas, manuais e diretrizes assistenciais, orientando desde a carga horária dos profissionais até o cadastro correto das unidades no CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde).
Inovação e cuidado especializado
Mato Grosso do Sul também tem investido em estratégias específicas. Entre elas está a organização da odontologia hospitalar e o apoio técnico para municípios que ofertam ou desejam implantar atendimento odontológico com sedação.
Outro destaque é o serviço de Tele-Estomatologia, que auxilia no diagnóstico precoce de lesões suspeitas de câncer bucal. A ferramenta amplia o acesso ao especialista, reduz o tempo de espera e fortalece a linha de cuidado oncológico.
“A Tele-Estomatologia é uma ferramenta estratégica, porque encurta distâncias e contribui para o diagnóstico precoce do câncer bucal, que faz toda a diferença no prognóstico do paciente. Nosso objetivo é que nenhum caso suspeito deixe de ser avaliado por falta de acesso ao especialista”, reforça Lucas.
A atuação estadual inclui ainda apoio às ações de saúde bucal no sistema prisional, garantindo orientações técnicas, insumos e organização do cuidado para essa população.
Anualmente, é realizado o levantamento epidemiológico conhecido como CPOD (Cariado, Perdido e Obturado em Dentes Permanentes), que subsidia o planejamento das ações e o fornecimento de kits de higiene bucal destinados às estratégias de promoção e prevenção desenvolvidas nos municípios.
Viagens técnicas também fazem parte da rotina da Coordenadoria, promovendo diálogo direto com prefeitos, secretários municipais de saúde e coordenadores de saúde bucal para fortalecer a rede e ajustar estratégias conforme a realidade local.
O resultado é uma relação baseada em cooperação técnica e financeira, monitoramento, educação permanente e inovação — sempre com foco na ampliação do acesso e na melhoria da qualidade do cuidado oferecido à população.
Como o cidadão pode acessar os serviços
O caminho é simples:
- Procure a UBS mais próxima: Leve documento de identificação, Cartão do SUS e comprovante de residência;
- Agende consulta com a equipe de saúde bucal: O atendimento começa na atenção primária;
- Se necessário, receba encaminhamento: Casos que exigem tratamento especializado são encaminhados para os CEOs ou outros serviços da rede.
Em caso de dúvidas, a orientação é procurar a Secretaria de Saúde do seu município para verificar a disponibilidade dos serviços na sua região.



Do estado para o Brasil: o que é o Brasil Sorridente?
A política que organiza a saúde bucal no SUS em todo o país é conhecida como Brasil Sorridente. Criado em 2004, o programa integra a Política Nacional de Saúde Bucal e estabelece diretrizes para ampliar o acesso, reduzir desigualdades e garantir atendimento desde ações preventivas até tratamentos especializados.
O Brasil Sorridente está presente em todos os níveis de atenção à saúde — da atenção básica à média e alta complexidade — e dialoga com diversas políticas do Ministério da Saúde, como o Programa Saúde na Escola, ações voltadas às pessoas com deficiência, saúde do trabalhador, vigilância ambiental e fluoretação das águas de abastecimento público.
Entre as principais metas estão:
- Ampliar a cobertura de saúde bucal no SUS;
- Reduzir índices de cárie e outras doenças bucais;
- Oferecer tratamento especializado, como endodontia (canal) e próteses dentárias;
- Consolidar a saúde bucal como parte integrada da atenção primária e especializada.
Na prática, isso se traduz no fortalecimento das Equipes de Saúde Bucal, na expansão dos Centros de Especialidades Odontológicas e na atuação dos Laboratórios Regionais de Próteses Dentárias em todo o país.
A saúde bucal vai muito além da estética. Está relacionada à prevenção de infecções, ao diagnóstico precoce de doenças como o câncer de boca e à qualidade de vida em todas as idades.
Entender como funciona a rede e saber por onde começar é o primeiro passo. No SUS, esse caminho começa na unidade básica — e pode transformar não apenas um sorriso, mas a saúde como um todo.
Kamilla Ratier, Comunicação SES
Fotos: Divulgação SES
