Publicado em 29 jan 2026 • por Danubia Karinni Burema De Sousa •
Com foco na busca ativa de casos e no fortalecimento da vigilância em saúde, MS orienta suas ações de enfrentamento à hanseníase a partir do diagnóstico precoce e do acompanhamento oportuno das pessoas acometidas pela doença
Com diagnóstico e tratamento totalmente gratuitos pelo SUS, a hanseníase tem cura e permanece como uma das prioridades da saúde pública no Estado. Entre 2021 e 2025, foram notificados 1.950 casos em Mato Grosso do Sul, dados que subsidiam o planejamento das ações de controle, com atenção especial ao monitoramento de contatos, especialmente em menores de 15 anos, estratégia que será intensificada em 2026 para interromper a cadeia de transmissão e prevenir incapacidades.
Mesmo sendo uma doença conhecida e com tratamento eficaz disponível na rede pública, a hanseníase ainda demanda atenção contínua dos serviços de saúde. No Brasil, o país permanece entre aqueles com maior número de casos novos, o que reforça a importância da vigilância ativa, da identificação precoce e do acompanhamento adequado das pessoas diagnosticadas. No âmbito estadual, os dados do SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) orientam a organização da Rede de Atenção à Saúde.
Dados orientam vigilância e planejamento
A análise das notificações mais recentes aponta um pequeno aumento no número de casos nos últimos dois anos, o que evidencia a necessidade de intensificar a busca ativa e o acompanhamento oportuno das pessoas diagnosticadas e de seus contatos.
- 2021: 346 casos
- 2022: 363 casos
- 2023: 361 casos
- 2024: 456 casos
- 2025: 424 casos
A variação observada nos últimos anos reforça a importância da vigilância epidemiológica, com foco no diagnóstico precoce e no acompanhamento.
Diagnóstico acessível e tratamento garantido pelo SUS
O diagnóstico da hanseníase é realizado por meio de exame físico geral, dermatológico e neurológico, permitindo a identificação de lesões ou áreas da pele com alteração de sensibilidade e comprometimento de nervos periféricos, com alterações sensitivas, motoras e/ou autonômicas.
O SUS disponibiliza gratuitamente o tratamento e o acompanhamento dos pacientes nas unidades básicas de saúde e em serviços especializados de referência. A hanseníase tem cura, o tratamento é inteiramente gratuito e o risco de transmissão é eliminado já nas primeiras doses da medicação. A duração do tratamento varia de acordo com a forma clínica da doença.
Para o diretor técnico do Hospital São Julião, hansenólogo e dermatologista Dr. Augusto Brasil, o acesso ao diagnóstico e ao tratamento é determinante para o controle da doença.
“A hanseníase é uma doença com diagnóstico acessível e tratamento eficaz pelo SUS. Quando o diagnóstico é realizado de forma precoce e o tratamento iniciado no tempo oportuno, é possível interromper a transmissão e evitar incapacidades, garantindo qualidade de vida aos pacientes”, destaca.
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica que acomete principalmente a pele e os nervos periféricos. Entre os principais sinais e sintomas estão manchas na pele com alteração de sensibilidade ao calor, frio, dor ou tato, formigamentos, sensação de choques, diminuição da força muscular, queda de pelos e presença de nódulos.
Qualificação profissional e prevenção de incapacidades
Como parte das estratégias de enfrentamento da hanseníase, a SES realiza, no próximo dia 3 de fevereiro, uma capacitação estadual em ANS (Avaliação Neurológica Simplificada), voltada a profissionais de saúde e coordenadores municipais dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul. A qualificação integra o cronograma de ações da Gerência Estadual de Hanseníase e será realizada pela plataforma Telessaúde.
O webinar “Importância da Avaliação Neurológica Simplificada e Vigilância do Grau 2” tem como foco a mensuração do GIF (Grau de Incapacidade Física) em casos notificados e a prevenção de sequelas. A atividade contará com a participação do fisioterapeuta e sanitarista Vorlei Tadeu Xavier e do consultor do Ministério da Saúde Bruno Cabral, da CGHDE (Coordenação-Geral de Vigilância da Hanseníase e Doenças em Eliminação).
Segundo a consultora em hanseníase da Gerência Estadual de Tuberculose, Hanseníase e Micoses Endêmicas, Fabiana Pisano, a avaliação neurológica é uma ferramenta essencial no cuidado contínuo.
“A avaliação neurológica simplificada permite identificar precocemente alterações, orientar o autocuidado e realizar intervenções oportunas, reduzindo significativamente o risco de incapacidades e contribuindo para uma melhor evolução clínica”, explica.
Para o Dr. Augusto Brasil, a qualificação das equipes impacta diretamente na qualidade da assistência.
“Profissionais capacitados conseguem reconhecer os sinais da doença, acompanhar corretamente o tratamento e orientar os pacientes de forma adequada, o que contribui para a redução de sequelas e para o controle da hanseníase no Estado”, afirma.
Mobilização contínua
O Dia Mundial de Enfrentamento da Hanseníase, celebrado em 25 de janeiro, marca o início da mobilização anual da campanha “Janeiro a Janeiro: Vencer a hanseníase é cuidar do Brasil o ano inteiro”, que reforça a necessidade de ações permanentes de vigilância, assistência e educação em saúde ao longo de todo o ano.
Em Mato Grosso do Sul, a atuação da Gerência Estadual de Hanseníase e do Hospital São Julião, como serviços de referência, é estratégica para o fortalecimento da vigilância, da reabilitação e da formação profissional, contribuindo para a eliminação da hanseníase como problema de saúde pública.
André Lima, Comunicação SES
Foto: Arquivo SES





