MS lança AdaptaSUS para preparar rede pública de saúde frente às mudanças climáticas

  • Publicado em 21 maio 2026 • por Kamilla Nunes Ratier Camacho •

  • Plano estadual busca fortalecer o SUS para responder a queimadas, ondas de calor, enchentes e outros eventos extremos que impactam a saúde da população

    Em meio aos desafios impostos pelas mudanças climáticas, Mato Grosso do Sul dá mais um passo para fortalecer a saúde pública e preparar os serviços do SUS (Sistema Único de Saúde) para enfrentar eventos extremos. Queimadas no Pantanal, ondas de calor, períodos de seca prolongada, enchentes e mudanças bruscas de temperatura já impactam diretamente a rotina da população e a capacidade de resposta das unidades de saúde. Diante desse cenário, o Estado lançou nesta quarta-feira (20), em Campo Grande, uma estratégia voltada à adaptação climática no setor saúde.

    A SES (Secretaria de Estado de Saúde), por meio da coordenadoria de Vigilância em Saúde Ambiental e Toxicológica, realizou no auditório do Bioparque Pantanal o lançamento do AdaptaSUS-MS – Plano Setorial de Adaptação à Mudança do Clima – Setor Saúde. A iniciativa busca preparar os serviços de saúde para responder aos impactos das mudanças climáticas, fortalecendo a capacidade de atendimento do SUS diante de situações como ondas de calor, queimadas, chuvas intensas e outros eventos extremos.

    O plano estabelece diretrizes estratégicas para ampliar a resiliência da rede pública de saúde, fortalecendo ações de vigilância ambiental, epidemiológica e assistencial, além de promover medidas de prevenção, preparação e resposta às emergências climáticas e ambientais em Mato Grosso do Sul.

    Durante a solenidade, o secretário de Estado de Saúde, Maurício Simões Corrêa, destacou que o AdaptaSUS-MS integra uma estratégia nacional de preparação do SUS frente às crises climáticas.

    “Hoje estamos lançando o Plano Estadual de Adaptação do Sistema Único de Saúde frente aos eventos climáticos que impactam diretamente a vida e a saúde da população. Precisamos desenvolver ferramentas capazes de diagnosticar, antecipar cenários e preparar respostas rápidas. Esse é um trabalho contínuo de construção de estratégias para que possamos enfrentar futuras crises climáticas com mais preparo e agilidade”, afirmou.

    O secretário também ressaltou que o plano considera as características específicas de cada região do Estado. “O Pantanal possui suas particularidades, assim como a região da celulose e as áreas agrícolas. Precisamos desenvolver estratégias específicas para cada realidade, sem perder a visão coletiva”, completou.

    Representando o Ministério da Saúde, a coordenadora-geral de Mudanças Climáticas e Equidade em Saúde, Helen da Costa Gurgel, enfatizou que Mato Grosso do Sul está entre os primeiros estados brasileiros a avançar na implantação da iniciativa.

    “O Estado demonstra compromisso com um tema tão importante e desafiador para o futuro. Precisamos discutir como lidar com as mudanças climáticas, que já impactam claramente Mato Grosso do Sul, especialmente com as queimadas no Pantanal e os períodos de secas e inundações cada vez mais extremos”, pontuou.

    Representando a Secretaria-Executiva de Meio Ambiente da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Vanilda Oliveira destacou a integração entre o AdaptaSUS e o programa AdaptaCidades.

    “O sistema de saúde atua como um sistema sentinela e é um dos primeiros a sentir os impactos das mudanças climáticas. Por isso, fortalecer esse sistema é uma prioridade. O AdaptaSUS e o AdaptaCidades caminham juntos, em cooperação e sinergia, para fortalecer tanto a saúde quanto os territórios”, afirmou.

    O gerente de Sustentabilidade da SES, Serafim Maggioni Junior, explicou que o plano possui uma abordagem multirrisco e multiimpactos, voltada tanto para a infraestrutura quanto para a área epidemiológica.

    “Estamos trabalhando em dois grandes eixos: infraestrutura e epidemiologia. O objetivo é preparar melhor hospitais, unidades básicas e serviços de saúde para enfrentar os efeitos dos eventos climáticos extremos”, ressaltou.

    Segundo ele, o AdaptaSUS-MS será implantado inicialmente em 10 municípios prioritários, em parceria com a Semadesc e o Ministério do Meio Ambiente. São eles: Campo Grande, Dourados, Corumbá, Ponta Porã, Aquidauana, Coxim, Miranda, Paranaíba, Caarapó e Porto Murtinho.

    O coordenador de Vigilância em Saúde Ambiental e Toxicológica da SES, Karyston Adriel Machado da Costa, destacou que o objetivo do plano é garantir mais acolhimento e segurança à população nos serviços de saúde.

    “Em períodos de frio intenso ou calor extremo, por exemplo, as pessoas precisam encontrar unidades de saúde preparadas, com ambientes adequados e protegidos das condições climáticas. O foco é oferecer um atendimento mais humanizado e resiliente”, explicou.

    As ações de planejamento do AdaptaSUS-MS começam imediatamente, enquanto as adaptações estruturais e físicas estão previstas para serem implementadas gradualmente nos próximos anos, integrando o Plano Estadual de Saúde e os instrumentos de planejamento do Estado.

    O AdaptaSUS-MS reforça o compromisso do Governo do Estado com a promoção da saúde, a sustentabilidade e a construção de territórios mais seguros e preparados diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

    Kamilla Ratier, Comunicação SES
    Fotos: Kamilla Ratier

    Categorias :

    Vigilância Ambiental

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