Prestação de contas mostra avanço da regionalização, obras estratégicas e saúde digital em MS

  • Publicado em 27 maio 2026 • por André Luiz de Souza Lima Rampazzo •

  • Dados apresentados pela SES na Assembleia Legislativa revelam crescimento da produção assistencial, fortalecimento dos hospitais do interior e resultados positivos das estratégias adotadas para aproximar os serviços de saúde da população

    A SES (Secretaria de Estado de Saúde) apresentou nesta última terça-feira (26), durante audiência pública realizada na ALEMS (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), a prestação de contas referente ao primeiro quadrimestre de 2026. O relatório evidencia avanços na regionalização da assistência, ampliação da produção hospitalar e ambulatorial, investimentos em infraestrutura e fortalecimento da saúde digital, alinhados às diretrizes do Plano Estadual de Saúde 2024-2027.

    Entre janeiro e abril, o Governo do Estado investiu R$ 783,1 milhões em ações e serviços públicos de saúde. Os recursos estaduais continuaram sendo a principal fonte de financiamento do setor, respondendo por 87,41% das despesas liquidadas no período.

    Os números apresentados mostram crescimento consistente da assistência prestada à população. Foram aprovados 5,59 milhões de procedimentos ambulatoriais, um aumento de 46% em relação ao mesmo período de 2023, além de 12.578 internações hospitalares aprovadas, crescimento de 42,8% no comparativo com o primeiro quadrimestre daquele ano.

    Para o secretário de Estado de Saúde, Maurício Simões, um dos principais resultados observados é o fortalecimento da capacidade dos municípios do interior em resolver demandas de saúde dentro da própria rede local.

    “Já percebemos, por meio dos números da regulação estadual, um crescimento da capacidade dos municípios em absorver procedimentos de pequena e média complexidade dentro da própria estrutura. Isso reduz deslocamentos desnecessários, fortalece a assistência regionalizada e representa uma mudança importante no perfil da procura por serviços regulados pelo Estado”, destacou.

    Interiorização reduz pressão sobre a Capital

    A regionalização da assistência foi um dos principais destaques da apresentação. Atualmente, 37% dos encaminhamentos regulados já são destinados a hospitais do interior, refletindo a ampliação da capacidade instalada fora de Campo Grande.

    Segundo Maurício Simões, os resultados iniciais da PEHOSP (Política Estadual de Fortalecimento Hospitalar) demonstram que municípios que antes registravam baixa produção hospitalar passaram a ampliar a oferta de procedimentos, dentro da capacidade de suas estruturas.

    “O financiamento hospitalar está permitindo que os municípios retomem sua capacidade de resolver problemas localmente. Muitos procedimentos que antes não eram realizados agora são executados nos próprios municípios, ampliando a resolutividade da rede e melhorando o acesso da população”, afirmou.

    O secretário também ressaltou o papel estratégico do Hospital Regional de Dourados no processo de descentralização da assistência.

    “A ampliação gradual dos serviços de maior complexidade em Dourados é fundamental para reduzir a transferência de pacientes do interior para Campo Grande. Isso permite que os hospitais da Capital possam concentrar esforços nos atendimentos de média e alta complexidade, que são sua principal vocação”, explicou.

    Regulação integrada agiliza acesso aos serviços

    Outro avanço apresentado foi a integração entre as regulações de urgência do Estado e do Município de Campo Grande, iniciativa implantada em janeiro deste ano.

    De acordo com a superintendente de Ações Estratégicas da SES, Maria Angélica Benetasso, a medida já tem refletido na organização dos fluxos assistenciais e no acesso dos pacientes aos serviços especializados.

    “Promovemos a integração das equipes em um mesmo espaço físico, compartilhando protocolos e fluxos assistenciais. O objetivo foi harmonizar processos e reduzir o tempo de espera dos pacientes que necessitam de atendimento de maior complexidade fora do seu local de origem”, explicou.

    Ela destaca que todos os pacientes que precisam de serviços de maior complexidade passam pela regulação compartilhada entre os complexos reguladores estadual e municipal.

    “As equipes trabalham de forma integrada para definir o melhor destino aos pacientes, seja a partir das UPAs, CRS ou hospitais do interior. Os resultados têm sido bastante positivos e estamos observando avanços importantes na qualidade da assistência”, acrescentou.

    Saúde Digital amplia acesso em regiões remotas

    A transformação digital da saúde também ganhou destaque na prestação de contas. Atualmente, 79,5% dos municípios sul-mato-grossenses contam com algum tipo de oferta de telessaúde ou telemedicina, enquanto 61,5% possuem serviços estruturados de teleatendimento.

    Além da expansão dos atendimentos remotos, a SES contabilizou milhares de teleconsultas, teleinterconsultas e telediagnósticos em especialidades como cardiologia, dermatologia, oftalmologia e pneumologia.

    Para a superintendente de Saúde Digital da SES, Márcia Tomasi, a estratégia tem sido fundamental para aproximar especialistas de municípios mais distantes.

    “Conseguimos chegar mais perto dos municípios e apoiar as equipes locais, qualificando os atendimentos e agilizando diagnósticos de forma precisa. Isso permite identificar problemas em tempo oportuno e oferecer um cuidado mais rápido e eficiente à população”, afirmou.

    Segundo ela, a saúde digital tem papel importante especialmente em regiões de difícil acesso, permitindo ampliar a oferta de especialidades que muitas vezes não estão disponíveis presencialmente nos municípios.

    Obras e modernização fortalecem a rede estadual

    O relatório também detalhou o andamento das principais obras da saúde pública estadual.

    Entre os destaques estão as reformas no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, incluindo a UTI Pediátrica, a CME (Central de Material Esterilizado) e a revitalização da área externa da unidade.

    A ampliação da terceira etapa do Hospital Regional de Dourados alcançou 99,45% de execução, contemplando novos leitos de enfermaria, setor de hemodinâmica e unidades de terapia intensiva.

    Já a reforma e ampliação do Lacen/MS (Laboratório Central de Saúde Pública de Mato Grosso do Sul) segue em andamento com investimento superior a R$ 15,4 milhões, enquanto os Serviços de Verificação de Óbitos de Campo Grande e Dourados estão em fase final de conclusão.

    O Estado também avançou na modernização do parque tecnológico hospitalar, com aquisição de equipamentos como tomógrafos, aparelhos de ressonância magnética, arcos cirúrgicos, raios-X e monitores multiparâmetros destinados a unidades de diferentes regiões.

    Mais Saúde, Menos Fila mantém aprovação superior a 99%

    Outro destaque da prestação de contas foi o desempenho do programa MS Saúde – Mais Saúde, Menos Fila.

    No primeiro quadrimestre, a iniciativa realizou mais de 16 mil consultas especializadas e 13,6 mil exames, mantendo índice de aprovação de 99,2% entre os usuários.

    A estratégia integra o esforço estadual para reduzir filas de espera e ampliar o acesso a consultas, exames e cirurgias eletivas em todas as regiões do Estado.

    Transparência e fiscalização

    Presidente da Comissão de Saúde da ALEMS, o deputado estadual Lucas de Lima ressaltou a importância das audiências públicas para garantir transparência na aplicação dos recursos e acompanhamento das políticas públicas.

    “É fundamental que a Secretaria de Estado de Saúde apresente periodicamente os resultados e investimentos realizados. Recebemos diversas demandas da população e acompanhamos temas importantes como vacinação, regionalização da assistência e investimentos hospitalares. Nosso papel é fiscalizar e garantir transparência”, afirmou.

    O parlamentar também destacou que toda a documentação apresentada permanece disponível para consulta pública após a audiência.

    “Os relatórios ficam à disposição da população para acompanhamento e fiscalização. O que apresentamos durante a audiência é um resumo. Depois, todo o material detalhado permanece disponível para que os cidadãos possam acompanhar de forma transparente o trabalho realizado”, concluiu.

    André Lima, Comunicação SES
    Fotos: André Lima

     

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