Publicado em 05 fev 2026 • por Danubia Karinni Burema De Sousa •
Nos primeiros 3 dias de operação, foram retirados de circulação mais de 2 mil produtos irregulares, incluindo canetas emagrecedoras, esteroides anabolizantes e inibidores de apetite
Trabalho de fiscalização conjunta que vem sendo realizado continuamente pela SES (Secretaria de Estado de Saúde) com os Correios, Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e outros parceiros, está desmontando rota de envio ilegal de canetas emagrecedoras por meio de correspondências. Somente nas ações realizadas dos dias 2 a 4 deste mês, foram apreendidas 2.071 unidades de produtos irregulares, entre canetas emagrecedoras, anabolizantes, ampolas e comprimidos anorexígenos à base de lisdexanfetamina oriundos do Paraguai.
Os produtos não possuíam registro na Anvisa e eram comercializados sem a devida documentação fiscal. Os itens estavam ocultos em encomendas, disfarçados em meio a presentes e objetos como bolsas e copos térmicos, camuflados em erva de tereré, frascos de óleo e creme hidratante, além de escondidos em embalagens de alimentos, como sacos de feijão e materiais escolares.
A operação conta com a atuação integrada da Vigilância Sanitária Estadual, da Anvisa, da CVPAF-MS (Coordenação de Vigilância Sanitária de Portos, Aeroportos e Fronteiras de Mato Grosso do Sul), do CRF/MS (Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso do Sul) e dos Correios. Os trabalhos intensivos seguirão durante todo o mês.
Nas apreensões, as encomendas foram identificadas por meio de inspeção por raio-X no fluxo postal e retidas pela Gerência de Segurança Empresarial dos Correios, em razão de apresentarem irregularidades sanitárias e condições inadequadas de transporte e armazenamento. Muitos dos medicamentos exigem refrigeração entre 2ºC e 8ºC, o que não foi observado, configurando risco adicional à saúde.
Embalagens sofisticadas passam falsa segurança
A SES reforça que a comercialização e o envio de medicamentos e produtos sujeitos à vigilância sanitária não nacionalizados, sem o devido registro sanitário, autorização ou comprovação de origem configuram grave risco à saúde da população. Sem controle sanitário e sem garantia de procedência, esses itens podem apresentar composição desconhecida, armazenamento inadequado e ausência de critérios mínimos de qualidade e segurança, expondo os consumidores a possíveis danos.
No caso das apreensões, muitos dos produtos utilizam embalagens indicando procedência como Reino Unido e Alemanha, porém não são produzidos nesses locais, explica o fiscal da Vigilância Sanitária Estadual, Matheus Moreira Pirolo. “A ideia é gerar uma sensação de credibilidade, porém se trata de substâncias que não são reconhecidas por agências reguladoras, com a Tirzepatida; e até que ainda estão em fase de testes sem possuir aprovação de uso em nenhum local do mundo, como a Retatrutida, ainda em fase experimental”, detalha.
Diante do risco que se espalha pelo País, a Anvisa iniciou o ano de 2026 intensificando a fiscalização desses produtos. Em MS, força-tarefa foi estabelecida pela Coordenadoria de Vigilância Sanitária por meio do Visa Protege, para desenvolvimento de ação permanente e operações conjuntas com outros órgãos fiscalizadores e de segurança pública, tais como Anvisa, CRF/MS, Polícia Civil, em locais de trânsito de mercadorias como os Correios.
A ação se iniciou esta semana, na segunda-feira (2), nos Correios, de forma diária e permanente. Outros locais de trânsito de mercadorias também serão alvos, tais como transportadoras, aeroportos do Estado e rodovias federais e estaduais.





Efeitos adversos
Além disso, há risco de eventos adversos em saúde, como pancreatite aguda, insuficiência renal, perda de massa muscular e efeitos decorrentes de superdosagem, completa Pirolo. “Esse tipo de medicação pode ser utilizada desde que registrada e mediante acompanhamento de endócrino ou nutrólogo e acompanhada de mudança de hábitos de vida como reeducação alimentar e atividades físicas regulares, porque senão tem efeito rebote e o reganho de peso”, alerta.
Além disso, ele destaca que a não averiguação de pré-disposição genética para câncer de tireóide e câncer do sistema endócrino podem levar pessoas com essa condição a desenvolverem a doença após o uso indiscriminado do medicamento.
Danúbia Burema e André Lima, Comunicação SES
Fotos: André Lima
